Felicidade Plena e Imediata
Afinal de contas o que é preciso fazer para se alcançar, rápido, a tão almejada felicidade plena?
Parece-me que esta pergunta é muito bem colocada, uma vez que há, por todos os lados, pessoas se auto-intitulando detentoras do saber em torno do qual pode-se atingir rapidamente e sem muito esforço a felicidade plena de prazeres ilimitados.
Num universo, em expansão, de espíritos angustiados, vender a promessa de felicidade é um negócio extremamente rendoso, muito embora, havemos de fazer prevalecer o senso crítico, saudável em qualquer ocasião.
É da própria cultura contemporânea o entusiasmo em difundir os ideais de imediatismo e de prazer ilimitado, entretanto, estes ideais estão subordinados a uma lógica que impossibilita qualquer tipo de adiamento ou frustração à aquisição do que quer que se deseje e isso não acontece impunemente.
Gravidez na adolescência, drogadição, violência, são alguns dos elementos que podem ser pensados a partir da ótica de que todo o prazer deve ser experimentado e que nenhum adiamento é possível.
Um esclarecimento importante e necessário é desfazer a idéia de que felicidade esteja associada à idéia de prazeres sem limites e permanente.
A busca de algo que se deseja exige resignação e trabalho.
O imediatismo propagado é mais um sintoma da sociedade de consumo do que um valor propriamente.
É produtivo que se saiba que na vida, todos, temos momentos de felicidade.
Um sentimento de completude, talvez seja uma das formas de tentar descrever este estado de espírito, entretanto, é importante saber que no momento seguinte ao da completude, retorna em nosso espírito um sentimento de que falta algo, um sentimento de que aquilo que se conseguiu não basta para se ser feliz.
É, pois é... é assim mesmo que somos... seres faltantes.
Sempre faltará algo para nos satisfazer completamente e isso não é necessariamente ruim, muito pelo contrário, é esta falta que nos faz mover no mundo.
Ser faltante, um vazio que nunca é preenchido, isso é pessimismo?
Não. É o que é, e quanto a isso pode-se assumir distintas disposições: há aqueles que lamentam e não aceitam a constatação de que são faltantes e há outros que lutam e buscam a completude possível.
Ao nos distanciarmos de um modelo, inalcançável, de felicidade, construído pela cultura atual, que exclui as angústias e frustrações inerentes à vida humana, culpabilizando os indivíduos que as experienciam, estaremos mais próximos de viver integralmente a própria existência.
Semana que vem tem mais, não perca...